terça-feira, 16/10/2018
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Bolha imobiliária em Portugal?

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O filme é antigo, mas pelo jeito parece que não vai ter reprise em Portugal. Para quem não sabe ou não se lembra, a bolha do mercado imobiliário dos Estados Unidos começou assim. Um tripé com muita oferta de crédito, supervalorização de imóveis e sucessivos refinanciamentos de dívidas.

Portugal tornou-se a nova menina dos olhos dos imigrantes – inclusive deste que vos escreve. Com o baixo índice de violência, cidades paradisíacas e incentivos através de vistos para residência, não há mais imóveis para quem queira. E em um mercado onde oferta e demanda buscam o equilíbrio, os preços dos arrendamentos estão aumentando.

Imóveis que antes custavam 400 euros, hoje são facilmente arrendados por 600 ou 650 euros. Chega-se a formar leilões através de visitações abertas onde potenciais inquilinos dão lances de arrendamentos. E só garante o negócio aquele que oferecer o maior valor e a maior quantidade de meses em pagamentos adiantados, que podem ser de até 1 ano inteiro.

Além do fenômeno da imigração existe também a questão do turismo. Os senhorios descobriram ferramentas como “Airbnb” ou “Booking” e perceberam que realizar arrendamentos temporários, como o que se faz em hotéis e pousadas, pode ser muito mais vantajoso que os tradicionais. E isso, sem dúvida, contribui ainda mais para a escassez, supervalorização de imóveis e busca por financiamentos.

Dito isso, agora coloque na panela uma grande demanda por arrendamentos, pouca oferta de imóveis e baixas taxas de juros para financiamento imobiliário, onde, inclusive, ao se financiar um imóvel, o preço da prestação fica inferior ao preço de um arrendamento. O resultado? Especulação de crédito imobiliário.

Acredito firmemente na soberania do mercado e vejo com ressalva ações intervencionistas de Governos na iniciativa privada. Mas, neste caso, a história mostra o quanto uma bolha imobiliária pode ser danosa a um País e a seu povo.  Motivo pelo qual entendo a iniciativa do Banco de Portugal em criar regras, que entraram em vigor no dia 1 de julho, “restringindo” algumas ações à concessão do crédito.

Mas é preciso destacar que, em princípio, são só recomendações, pois, na prática, não existem penalidades para o não cumprimento das 3 principais “restrições”, que são: limites à taxa de esforço, limites ao valor do crédito face ao imóvel dado em garantia e limites à maturidade dos empréstimos.

Portanto, o que temos é uma sinalização de que poderão haver sansões futuras caso o mercado financeiro não se ajuste a essas recomendações. Acredito que Portugal vive um momento ímpar e que deve aproveitar as oportunidades para a recuperação definitiva, mas, obviamente, dizendo um grande não ao oportunismo especulativo.

A mensagem do Banco de Portugal ao mercado é simples: que os empréstimos sejam feitos e tomados com consciência e que não haja especulação dos créditos imobiliários, evitando assim a formação de uma grande e indesejável bolha imobiliária no país.

Wenderson Wanzeller é atuário, jornalista, apresentador de TV, radialista e ator.

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